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Há vida no Centro Histórico

QUE VISO EU?

A expressão paira, ao sabor do vento, sob a loja nº7 da Rua Nunes de Carvalho, em Viseu. E “Que Viso Eu” meus amigos? ‘Viso’ um recanto recheado dos bons e excecionais produtos das Beiras.

“Que viso eu?”, intrigaram-se os guerreiros cristãos, perante tal território conquistado e desconhecido. Era Viseu, essa terra ímpar, protegida por terras e montes. Hoje, num passeio pelo Centro Histórico da cidade de Viriato, séculos depois, tal pergunta apresenta-se aos visitantes de forma subtil mas com o mesmo caráter intrigante e curioso. A expressão paira, ao sabor do vento, sob a loja nº7 da Rua Nunes de Carvalho, em Viseu. E “Que Viso Eu” meus amigos? ‘Viso’ um recanto recheado dos bons e excecionais produtos das Beiras. Entre, converse e desbrave as histórias e os sabores de uma região com Teresa e Joaquim.

Na Rua Nunes de Carvalho, no coração nobre da cidade de Viseu, habita, desde fevereiro passado, um novo projeto – a loja “Que Viso Eu?”. A montra de produtos é variada. Não há catálogo como nos tempos modernos ou marketing ao desbarato. Há sim um casal simpático que guia os visitantes por esta montra apetecível e autêntica. Os produtos são das Beiras, da Litoral à Alta e Interior, sem esquecer um pedaço do Douro. Queijos, chás, frutas do pomar e legumes da horta, compotas e geleias, biscoitos, azeite, vinhos de excelência, cogumelos e tantos outros atrativos. O difícil será mesmo escolher. Aqui há um pedaço de história e de terra de vários produtores beirões. Já os queijos, essas pérolas das serras, são arte manuseada por Teresa e Joaquim, proprietários da Queijaria de Povolide e os ‘entrevistados’ neste dia. “Que Viso Eu?” é uma aventura de família, Teresa, Joaquim e os seus filhos, cada um envolvido à sua maneira. Mas recuemos no tempo, às origens da família Pessanha.

“A minha mulher tem mesmo alma de agricultora!”. (E se tem. Alma essa percebida em poucos instantes de conversa). Palavras de Joaquim, bancário de profissão, já reformado, filho da capital Lisboa, companheiro de matrimónio e negócio de Teresa, ela viseense e filha da terra. A Povolide regressaram há alguns anos, deixando a capital para trás. Abraçaram um legado de gerações da família de Teresa, caído um pouco no esquecimento. E que ‘visaram’ eles? Hectares de terra fértil, sedentos de apaixonados pela agricultura. Arregaçaram mangas. Nunca mais baixaram a guarda. Introduziram a mecanização, escolheram e adaptaram as culturas, fizeram renascer a Quinta da Igreja aos tempos áureos. Mais tarde, à agricultura juntaram a pecuária. Nascia assim o negócio da queijaria, movimentado por um rebanho de mais de uma centena de ovelhas. Hoje, e por força do excessivo labor, são apenas 50 as ovelhas de raça bordaleira que produzem parte do leite para fabrico dos queijos, aqueles que orgulhosamente Teresa lhe vai apresentar na loja. Qual queijo de aspeto tosco mas autêntico, afincadamente defendido pela especialista, apologista da qualidade do artesanal e das origens que faz questão de respeitar.

Depois de projetos e mais projetos, ideias fervorosas, a família Pessanha passou da quinta rural para a loja no Centro Histórico, levando consigo as melhores produções do seu recanto e de tantos outros recantos das Beiras. No meio de tantas histórias e gerações, o tempo passa e não dá por si. A conversa pede uns “Jotinhas”, os famosos biscoitos de requeijão, crocantes e de travo a canela, outra das muitas ideias nascidas na quinta. Entre uma visita guiada aos sabores que ali se mostram irresistíveis aos olhares, Teresa faz questão de elogiar a qualidade e proatividade dos produtores regionais que acolhe na loja.

Entre o diálogo, lá se projeta o futuro. Sim, porque este projeto ainda só vai a ‘meio-gás’. Planos e força de vontade, não faltam. Buffet de sabores e recantos literários dedicados às Beiras são algumas das ideias em cima da mesa. Mas também workshops de feltragem com a lã das ovelhas. Aqui, nada se desperdiça, tudo se transforma.

Passe por cá e descubra você mesmo a loja “Que Viso Eu?”. Encha o cabaz com produtos regionais e desfrute da companhia e simpatia da família Pessanha. Uma viagem repleta de histórias e riqueza de sabores, onde há tanto para descobrir! A loja funciona de terça-feira a domingo, entre as 10 horas e as 19 horas.