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Viseu põe em marcha “plano de resgate” da cidade com 2500 anos de História

Plano de Ação “VISEU PATRIMÓNIO” arranca de imediato e estende-se até 2024. “Uma maratona com vários sprints dentro”, explicou Almeida Henriques. 1ª Fase decorre até Julho de 2017 e Raimundo Mendes da Silva será o Coordenador Científico

O Município de Viseu inicia esta terça-feira, 16 de fevereiro, o “plano de resgate” do património cultural da cidade com 2500 anos de história.

O Plano de Ação “VISEU PATRIMÓNIO” arranca de imediato e estende-se durante 8 anos, tendo em vista o conhecimento, a proteção e a valorização do património cultural, material e imaterial, da cidade e da sua história profundamente ligada à ideia de nacionalidade.

Segundo o Presidente da Câmara, Almeida Henriques, “esta será uma maratona com vários sprints dentro. Uma maratona que, mais do que uma classificação, visa converter o rico património da cidade num ativo real de desenvolvimento e afirmação social e cultural, económica e turística.”

Na apresentação da iniciativa, Almeida Henriques explicou que “Viseu deseja justiça no reconhecimento nacional e internacional do importante valor do seu património e da sua história, mas vai fazer muito por isso”.

Nesse sentido, o autarca anunciou “um projeto sem paralelo em Viseu de investigação, salvaguarda e sensibilização, assim como de reabilitação sustentável do seu edificado histórico”. “Se formos bem-sucedidos neste desígnio, a classificação junto da UNESCO como ‘Património da Humanidade’ ou de outra instância, será uma consequência natural, um corolário”, explicou.

Raimundo Mendes da Silva, professor da Universidade de Coimbra e especialista em reabilitação de edifícios e salvaguarda de património, será o Coordenador Científico da primeira fase do Plano de Ação “VISEU PATRIMÓNIO”, que se desenvolverá nos próximos 18 meses, até Julho de 2017.

O também antigo curador da candidatura a Património Mundial da “Universidade de Coimbra – Alta e Sofia” foi convidado para coordenar tecnicamente uma “agenda de investigação local” voltada para o património, a história e a caracterização do centro urbano antigo, bem como o desenvolvimento de “projetos de intervenção exemplares”.

Entre as medidas previstas para a 1ª fase do Plano de Ação está ainda a elaboração da “Carta Patrimonial de Viseu”, o levantamento do estado de conservação do edificado do centro urbano antigo, a adoção de “boas práticas” de reabilitação sustentável, a criação de um serviço de apoio aos moradores, proprietários e investidores (no âmbito do “Viseu Estaleiro-Escola”), com a disponibilização de uma “Linha de Urgência do Património” e um “serviço de diagnóstico e aconselhamento gratuito”.

No “Plano de Ação”, o Município de Viseu elegeu ainda um conjunto de obras de reabilitação de edifícios municipais para constituir um “referencial exemplar e pedagógico de valorização patrimonial e cultural”. Nessa lista estão o antigo “Orfeão de Viseu” (rua Direita), a “Casa das Bocas” (na rua João Mendes) e a futura sede da “Águas de Viseu” (na rua Dr. Luís Ferreira/ Travessa de São Domingos).

A Universidade de Coimbra e o Instituto Pedro Nunes serão parte ativa do projeto e toda a equipa trabalhará em “estreita e franca cooperação” com a Sociedade de Reabilitação Urbana VISEU NOVO e os dirigentes e serviços municipais.

Neste dia foram também divulgadas as principais conclusões e recomendações do “grupo de reflexão”, criado em Abril de 2015 pelo Presidente da Câmara, para avaliar as condições de Viseu numa candidatura a “Património da Humanidade” da UNESCO e recomendar uma estratégia de valorização patrimonial da cidade. O documento está disponível na íntegra em www.cm-viseu.pt.

Segundo este “grupo de reflexão”, constituído por diversos especialistas e personalidades, o “património [de Viseu] ainda não alcançou o reconhecimento pleno do valor que possui, havendo um claro potencial não explorado e trabalho a desenvolver”.

Nas suas recomendações, o grupo de peritos “acredita nas virtualidades que teria para Viseu enveredar por este caminho, recomendando o estabelecimento de uma estratégia nesse sentido.”

A respeito de uma eventual classificação pela UNESCO, o grupo sublinha que “uma eventual classificação futura” é “algo desejável, mas que a ter lugar constituirá somente a consequência e o corolário de um processo social mais amplo ligado ao conhecimento, proteção, reabilitação e valorização do património cultural de Viseu […] e à revitalização do Centro Histórico.”

De entre os bens patrimoniais de Viseu com maior potencial de reconhecimento, os peritos referem nas suas conclusões “o Conjunto Monumental originário da cidade, que integra a Sé Catedral e o Museu Nacional Grão Vasco, em articulação com o Centro Histórico, a Cava de Viriato e o seu papel na construção da ideia de nacionalidade/definição da independência como reino/país.”

Para Almeida Henriques, “este grupo de reflexão confirmou o sentido de oportunidade da nossa aposta numa estratégia de valorização do património cultural de Viseu. Esta confirmação entusiasma-nos a prosseguir. O grupo traduziu uma forte convicção no potencial de Viseu enquanto cidade cultural e nos seus valores patrimoniais, materiais e imateriais, como um fator promissor de afirmação e de desenvolvimento. Há um longo trabalho a fazer, mas que vale a pena.”